terça-feira, 28 de julho de 2009

CONTESTANDO DONA HEZBOLLAH

Sandra Magalhães – Psicóloga.


Uma senhora – defensora do Hezbollah, escreve em um “site” que Goldberg queria contratá-la para escrever seus textos (ghost-writer de araque?).
Eu fui contratada pelo sionista Goldberg, ao contrário da dona Hezbollah (obviamente rejeitada) e asseguro que o trabalho era de pesquisa de campo (comportamental) e não de falsa autoria (!).
E meu testemunho é de que a cartinha da snra. Hezbollah é piada de humor negro, pois que não cabem superlativos quando se escreve sobre Jacob Pinheiro Goldberg, vida e obra. heterônimos de oceânica vitalidade. Basta ler o depoimento de João Adolfo Hansen (professor titular de literatura brasileira da USP) apresentando a antologia de poemas de JPG, base da tese de doutoramento de Marília Librandi Rocha (Stanford, U.S.A), “Parábola e ponto de fuga, a poesia de JPG”, defendida na USP (10, com distinção e louvor).... “A primeira vez que vi Jacob Pinheiro Goldberg, ele estava na TV, falando do sadismo da burguesia brasileira que goza fazendo o povo sofrer. Desde então, passei a gostar muito dele. Depois, fiquei sabendo pela minha amiga Marília Librandi, que escreve a introdução exata e delicada deste livro, que Jacob nasceu em Juiz de Fora. Era Pinchas, judeu de origem polonesa, mas desabitou o nome, virou Pinheiro. O Brasil é mesmo impossível. Acho que cresceu como qualquer um de nós, sobrevivendo às contingências da vida daqui. Parentes dele foram assassinados em campos nazistas. Estudou Direito, para descobrir que a Lei submete e que o Espírito liberta. Ateu, passou à psicanálise freudiana. A matéria da sua poesia é essa desabitação, essa despossessão, esse estar não-estando de quem medita as perdas levado pelo vento do mundo. Na sombra, à esquerda da linguagem, ele escreve poesia com o sangue da experiência do real. É poesia elegíaca e trágica, uma lamentação que contra-efetua o acontecimento da dor, elaborando o sofrimento para resistir à destruição e à amargura do mal. Você, que agora lê esta orelha, talvez pense que essa forma de expressão da dor é própria da experiência histórica do povo judeu. E pensará bem, com razão. Mas só em parte. Jacob sabe que nascer judeu ou palestino, índio ou espanhol é só acidente, pois o que realmente importa é o que fazemos com o que fizerem de nós. Kafka, por exemplo, quis escrever como um vira-lata para apagar as marcas da Lei gravadas na pele. Jacob é dessa família de desgarrados magníficos que dizem non serviam, ‘não servirei’. Inconformado com a vida, revoltado com a morte, escreve sua poesia na fronteira do Paraguai com a Finlância, aquele não-lugar onde as etnias, as nacionalidades, as religiões, as classes e os sexos finalmente foram abolidos e só sobrou a liberdade da descrença radical dos valores herdados. A liberdade de Jacob é livre, ou seja, generosa, e faz seus poema espaçosos para recolherem compassivamente os cacos da história universal de um ‘nós’ despedaçado. São fortes, os poemas de Jacob, duros, intensos, sem nenhum consolo, comoventes. Podem até fazer desesperados pensar que, se ainda há homens como ele, há esperança para todos. Daqui desta orelha eu mando meu abraço pra ele.”, in “Poemas-vida, antologia de Jacob Pinheiro Goldberg.

Ou Gilberto Vasconcelos, na “Folha” (referência ótimo para “Cultura da Agressividade”) ou Sergio Davila no mesmo jornal na crônica “O dono do Divã”.
Gerado no útero da poeta da imigração judaica no Brasil, Fanny, por seu Luizinho, o imigrante judeu polones, coragem e hassidismo laico, nasceu em Juiz de Fora, mas como diria Henrik Siwierski (professor das universidades de Brasília e Cracovia, tradutor de sua obra “Magya Wygnania” Goldberg é muitos cosmopolita. Neto na linhagem do Rabino Aron Elwing virou Pinheiro por força da tradução de Pinkas seu tio, Yaakov Pinchas Goldberg, enterrado no Cemitério Judeu de São João do Meriti. morreu, 18 anos, tuberculose, imigrante miseravel e com isso como interpretado por Rodolfo Konder (in “Ritual de clivagem”), Goldberg fragmentados.
Na adolescência escreve a primeira apologia ao Irgun e Stern, grupos “terroristas” judeus anti-ingleses, na mídia brasileira. Celebrado por Zigmundo Wolosker lidera o Betar, resgatando o machucado orgulho lesado pelo integralismo. O que não obsta (pelo contrário, explica) seu interesse pela cultura árabe, Kalil Gibran e o sufi mulçumano Nasrudin. Lucas Garce em desponta em seus livros a miscigenação.
Vide sua obra enciclopedica, “Feitiço da Amérika”; Para Oscar Dámbrosio, e Gilberto Mansur, um canto ao nível de Pablo Neruda. O poema central inspirou o maestro Achile Picchi em magistral peça musical, foi publicado na revista “Kurara” (Universidade de Cracovia), analisado pela professora Regina Przyoycien (Universidade do Paraná), lido pelo deputado Athiê Jorge Cury, 7 de setembro, na Câmara dos Deputados. Seu poema “De Maria Fumaça até Picadilly Circus” dedicado a Londres foi declamado pelo senador Eduardo Suplicy e atriz Maria Paula (lançamento de “Rua: Halfeld, Otroviec”) e motivou sua indicação em visita pessoal do Professor Michael Driscoll para deputy-chairmam da Middlesex University (América do Sul), Inglaterra, bem como critica da professora Ely Vieitez Lanes consignando sua altitude clássica (tradução em Cuba, Jorge Colombo) e “Letralia”, Venezuela.
Mas já que o destino reservou - lhe a terra mineira como berço e sobre a qual escreveu alguns dos mais lindos e sofridos versos – “Por entre essas montanhas se torna poeta ou louco” começou colaborando em todos os jornais e revistas da região. Pensando em “ydish” domina o português, elástico em arco literário. Celebrado por Carlos Drumond de Andrade, Jorge Amado, Camara Cascudo e todos mais. Aos 13 anos de idade, sócio da Associação Mineira de Imprensa. Precocidade, “Jornal de Debates” (R.J), “Aonde Vamos?”, “Nossa Voz”, “Jornal de Noticias”, no Rio e São Paulo, já espalhando ousadia, independência, e controvérsia. Presença carismática dirige greve estudantil e agita meios secundaristas em Minas Gerais, denunciado como militante da União da Juventude Comunista, da qual se afasta quando a URSS invade a Thoco eslováquia.
Funda “O Volante” (JF), vice-presidente do D.A do Granbery, líder da UNES, preso no DOPSJF. Orador da formatura do colegial no Colégio Rio Branco(S.P). Escreve os primeiros livros (“Historia que a cigana nua me contou, dedicado a Cuba , da Fidel”) e “Ritmo Esquerdo”. A escrita como paixão é o pretexto para fundar e dirigir no MASP, a convite de Pietro Maria Bardí o Laboratório de Literatura e o Museu de Literatura de São Paulo que ensejam o livro de Ely Vieitez Lanes – “Perspectiva da literatura, segundo Goldberg” - Ed. Moura Lacerda. Seus poemas na “International poetry” – Universidade de Colorcado, E.U.A. refletem este sentir que a revista “Isto É” mostrou em “O exorcista do amor”, entrevista rumorosa.
Vai servir ao Exercito e chega a comandar a la. Cia. de Fuzileiros do 4º R.I.(S.P) e se integra ao grupo dos Generais Stoll Nogueira e Euryale Zerbini, ligados ao “O Semanário”, de Oswaldo Costa, que o apoia como candidato a deputado estadual (Frente Nacionalista e PSD). Dobradinha eleitoral com Dagoberto Salles, iniciando intensa relação com Ulysses Guimarães e Marechal Lott. Defende o projeto do “Serviço Social no Exercito brasileiro” na PUCSP expondo a necessidade de proteção socioeconômica a família do recruta pobre. . Na banca examinadora Zerbini proclama – “Fiquei em duvida entre prendê-lo ou dar-lhe 10”. Dá 10. Anos depois Terezinha Zerbini, a líder da Campanha da Anistia, lutadora contra a ditadura indica Goldberg candidato a senador pelo PDT (Movimento feminino e Grupo Afro). Goldberg declina na convenção, não atendendo a apelo veemente de Leonel Brizola. Em café no Hotel Maksud aguardando o enterro de Ayrton Senna acertam colaboração ideológica. Não se enquadra. Out-sider. Entrevistas de Goldberg para a “Gazeta de Lausanne”, “Los Angeles Time” e artigos no “O Estado de São Paulo” (“O dever de informar”) ver “Diário do Congresso - anais do Senado” oferecem elementos para compreender a intimidade e o refratário que leva Goldberg a recusar sua candidatura a governador de São Paulo na Convenção do PSB. Em síntese a perspectiva do poder – patologia.
Militante da campanha de Lott a Presidência da Republica se destaca, por sua lealdade e civismo (ver biografia de Lott-Wagner William), mas granjeia o respeito e admiração de Janio Quadros (ver biografia de Gabriel Kwak). Neste período exerce influencia carismática como porta-voz do grupo composto, entre outros, por José Maria Crispim.
Advogado combativo e progressista constrói uma carreira singular, com intenso desempenho forense e modulação teórica como professor convidado na Faculdade de Direito da USP, Procuradoria (S.P), Tribunal de Alçada Criminal, O.A.B.S.P, O.A.B.J.F, A.A.S.P., artigos em publicações especializadas, defesa dos direitos humanos, no Brasil e no Exterior Debate celebre com Marcio Thomas Bastos, O.A.B e F.D.U.S.P. Em Campinas, a convite da Comissão Justiça e Paz, Cecê Afonso Ferreira em causas de repercussão, culminando com o reconhecimento da comenda Benjamin Colucci que lhe é outorgada pela OABMG, por serviços prestados ao Direito. Antológica sua palestra para o M.P, “Psicologia do sentenciado”, debate coordenado pela procuradora Ana Sofia Schimdit de Oliveira e discussão com o professor doutor Piquet Carneiro, Harvard, (“Primeiro de Janeiro”, Porto, Portugal). Outrossim o parecer no sentido de que a mulher indique o pai de seu filho, subsidio a projeto do deputado Sebastião Nery e exposição no Senado sobre violência urbana, com o apoio do senador Nelson Carneiro e transcrição de ensaio sobre o “Dever de informar” (crime de imprensa). Sua pesquisa de campo sobre micro-violencia (com professor Jerry Hart – University of Leicester, Inglaterra) alinha com o Work-shop em Campinas (penitenciária), Comissão Justiça e Paz da Igreja Católica e processo em Oberamergau (Alemanha) sobre a “Paixão de Cristo”, “Genocídio Cultural” para Societé Internacionelle de Prophilaxie Criminelle de Paris, Inova o Crime do Extermínio a partir da dimensão subjetiva,com reconhecimento entusiástico do Ministro Aba Eban (Israel). “ O Direito e a ordem jurídica nos processos do desenvolvimento” – PUC – Campinas, “Du Droit á la Vie-Conferencia Mundial sobre a população” – Romênia, “A educação na era da complexidade didática para a liberdade” – VI Congresso Internacional de Educação – “O Direito e violência urbana” – X Congresso Mundial de Direito – “Relação entre a poderes” – Iº Congresso brasileiro de Direito Constitucional a convite de Michael Temer. Gerações de advogados, e psicólogos alunos e admiradores consideram suas teses doutrinarias, das mais originais por sua polivalencia e sustentação cientifica diferenciada.
Enquanto isto sempre, escreve poesias que vão sendo publicadas mundo a fora, surpreendendo pelo espírito e estética, consagrado por banca aristocrática da nossa critica literária (S.P)
Humanista, cuida entre outros trabalhos de, “O problema do excepcional” (APAE) e “A discriminação racial e a lei brasileira”, com introdução de Eduardo de Oliveira. “A clave da morte”, pioneiro na transvaloração da tanatofobia se alia a “D’ont let me die” (S.O.S woman, San Francisco, EUA), apresentado no Instituto Emilio Ribas (Caso AIDS) e publicado no livro de Focaccia-Veronese – Lomar, exposto no curso de pós-graduação em oncologia no Hospital do Câncer.
O encanto e fascínio independente deságuam no jornal anarquista “Dealbar” (S.P), aonde elabora autentico manifesto de arte libertaria. O jornalista Rainer Fabians, da revista alemã “Stern” capturou este senso de Jacob Pinheiro Goldberg em entrevista (1989), o que caracteriza sua performance no documentário “Moto boy – Vida Louca” – 27º Mostra Internacional de cinema, S.P.
Enquanto psicólogo clinica décadas a fio e na USP, funda, sob aplausos do reitor, dirige e leciona, o curso de “Psicologia e história”, no Núcleo de História da Ciência, tecendo os fundamentos, através de pesquisas de campos reflexões memoráveis, nos mais importantes institutos do Brasil, e com entusiásticos aportes internacionais de uma psicologia polarizada que se espelha na sua tese de doutoramento (Universidade Mackenzie).
Maçom, sob a égide do Grande Oriente do Brasil antecipa uma política de comunidade fraterna que se opõe a barbarie “Cultura da Agressividade” (Ed. Landy).
Na espiritualidade universal contesta a versão anti-semita da “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson e de Oberamergau, Alemanha, o que redunda num processo-crime surrealista, alimentando por desafetos já antigos no ódio e na inveja, delatores que alegram Goldberg ter assistido ao filme em DVD pirata, repelido pelo Tribunal.
Tanto em relação a Iara Iavelberg quanto a Stefan Zweig se entrega a releituras de justiça (palestras na Faculdade de Direito da USP – Cadeira de Direito Penal).Escreve a mais importante obra de revisão contemporânea do judaísmo preconizando o “Aggiornamento” e a superação do gueto (“Judaísmos-ético e não-étnico”), mais razões para conflitos mesquinhos, recebendo insultos infâmias e pela internet. Recebe contudo cobertura solidária da Igreja Católica, (“Ecclesia”) grupos evangélicos e judeus. Inclusive afinizado com o Cardeal Josef Ratzinger, atual Papa.
O papel intelectual firme ressalvado no episodio da morte de Tancredo Neves (“Folha de São Paulo” e TV Globo) em que denuncia a farsa, é o mesmo repasse da sua histórica intervenção proferida a convite do professor Carlos Guilherme Mota na Faculdade de Filosofia da USP sobre Sobral Pinto, que acaba recebendo o titulo de doutor “honoris-causa”, em episódio histórico.
Alinhado com Czeslaw Milosz (Premio Nobel), ao criar o Centro de Analise do poeta, o embaixador polonês vem de Brasília, e, em São Paulo, na sua clinica Goldberg recebe a noticia da concessão do titulo de cidadão polonês por decisão do presidente da Republica, consagração em “Os poloneses sob o Cruzeiro do Sul”.
Nestas transversalidades, no esporte com Ayrton Senna, Palmeiras, Marcelinho Carioca, Vanessa Menga, Suzano, na política em debate com o presidente Lula com Mario Covas, Janio Quadros, estudos sobre José Serra, Marta Suplicy. Criação do conceito “tucano” (Governador Franco Montoro), nas artes, na filosofia, forja o campo da Imagética, braço da psicologia, resultado de experiência existencial profunda, junto a “mídia”, Universidade, critica.
4 filhos, cinéfilo (“Psicologia em curta metragem”) “Reserva Cultural”, praticante de karatê, refratário ao uso de avião (embarca no ultimo vôo do “Concorde”, Rio - Paris, para a Copa do Mundo). No retorno, entrevistado por Boris Casoy escandaliza dizendo que a vitoria da “Marselhesa” sobre o hino nacional não aconteceria se – “Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”.
Em Dakar, declama versos de Leopold Sendar Senghor, em Londres na Faculdade de Medicina (reverberação acadêmica internacional) discorre sobre “Eve Will be God”, Exposição de Alberto Dutra. Na Congregação Evangélica da Lapa é saudado por Percival de Souza como visionário genial de horizontes da fé e no Seminário Paulopolitano.
Durante entrevista a Diana Canetti (Alemanha) repete o “mantra” que o distingue, na lógica de Jorge Luiz Borges – “um cavalheiro só se interessa por causas perdidas”.
O moleque franzino da Rua Batista de Oliveira é traço adivinho no provérbio árabe – o destino se ri dos planos dos homens”. Reprovado no 1º ano do ginásio, ao presidir sessão no XV Congresso de Neurologia, Psiquiatria e Saúde Mental J.P.G foi apontado com Roth, Hofman e Pineda como eminência mundial em saúde mental.
Nele, antes, projetou Rudyard Kipling, em “Se”. Para lagrimas despeitadas e aplausos camaradas.
Jorge Sanglard sintetizou seu carisma: “La poésie comme source de vie” – Contudo se o interessado quiser entender este percurso que prossegue, releia este texto como roteiro de filme-saga (obsessão pela tela de Goldberg), com uma trilha sonora – “Aleluia”, canto de Leonard Cohen, a “Internacional”, pelo coro do Exercito Vermelho, Caminito, com Carlos Gardel, Ierushalan shel zahav e finalmente, mas não menos “O Ébrio” com Vicente Celestino, com quem Goldberg viajou em trem para o Rio de Janeiro, numa das piruetas de “serendipty” que explicam e justificam este barco à deriva rimbaudiano, poetólogo do sempre, aqui.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Resposta a Alberto Dines

O CANDELABRO ACESO

Marília Librandi Rocha

Rever a história. Re-iluminá-la. Lançar-lhe uma outra luz.

Quem se volta para a própria sombra? Perguntou Stefan Zweig, no conto "Leporella", em 1939. Agora, outra voz pergunta: "quem matou Stefan Zweig?", encontrado morto, com sua mulher, em 1942.Essa pergunta precisa ser feita. Ela é legítima, decente, conseqüente.

A suspeita de assassinato, encabeçada pelo psicólogo e escritor Jacob Pinheiro Goldberg e sustentada por outros pesquisadores, traz de volta o assombro, a perplexidade com a morte mal investigada, negligenciada (apesar das pompas fúnebres oficiais).

Respeitar Stefan Zweig é suspeitar de assassinato, pois seu suicídio passou para a história como o de um derrotista, e não de um bravo. Se o ato suicida foi seu gesto de adeus, ele o foi para acusar e revelar o assassinato de uma época. Foi-se como o candelabro enterrado, resistindo, e só aguardando um outro momento da história para reacender-se. Stefan nos aguarda. Ele, como disse Goldberg, deixou todas as pistas: morreu jogando xadrez e sua última novela é o jogo de xadrez. Zweig lidava com sutilezas, não com arrogância.

O próprio autor de sua biografia no Brasil, Alberto Dines, reúne dados que legitimam a suspeita de assassinato, mas ele não a ressalta, nem sequer levanta essa possibilidade. Por quê? "Pobre Zweig..." - seu biógrafo termina um livro com um epílogo com este título. "Pobre Zweig" diz ele repetidas vezes. Como "pobre Zweig"? É preciso dizer : Viva Zweig, Salve Zweig, Grande Zweig.

Frases colhidas no livro de Dines, Morte no Paraíso (1981): "(...) graças à lealdade dos amigos foram dispensadas autópsias e investigações(...)";"Ditadura, censura,paternalismo -junção de conveniências, leviandade, inconseqüência,impediram que alguns detalhes fossem buscados".(E justifica) "Não alterariam a tragédia..."; Declaração do diretor de Saúde Pública, ao autor: "Fomos proibidos de fazer a autópsia. Ordem do Palácio. Encontramos apenas um tubo de Adalina (...)sonífero leve(...)insuficiente para matar uma pessoa, quanto mais duas"; "...supunha-se nas primeiras horas que Stefan tivesse sido ameaçado ou sofrera pressões de grupos integralistas e pró-nazistas"; "foi derrotado", "teve fim inglório".

Em outro momento Dines faz um paralelo entre opostos excludentes, comparando Stefan Zweig a Hitler, nesta frase indefensável pinçada do epílogo de sua biografia: "Arribou Stefan no Brasil decidido a abster-se, aceitando instintivamente a pena decretada por Hitler de que judeus devem sumir. Erraram Adolf e Stefan, dois austríacos inquietos". Dois austríacos inquietos? Adolf e Stefan? Não há comparação possível, aproximação nenhuma pode unir o assassino à vítima.

Rubem Braga, respondendo aos ataques de covarde dirigidos a Zweig logo após a sua morte, escreveu estas palavras que corroboram nossa tese: "Os que choraram sua morte não são partidários do suicídio.Todos sentiram que a deserção deste homem valeu como lancinante protesto contra a estupidez(...),o corpo de um homem que Hitler matou". Mas seu biógrafo no Brasil, pensando louvar o escritor, diz: "o campeão do pacifismo(...)desertou"; "ousou apenas um gesto de militância-capitular"; "Zweig parou no meio do caminho, personagem de seu próprio crivo".



Inversão de perspectiva:questionar o suicídio é dever de honra para com a memória de um grande escritor. Lidemos com o paradoxo, com a ambivalência dos signos e dos gestos humanos: Stefan Zweig foi "suicidado".

Por que não houve autópsia?

Por que não foi enterrado no cemitério judeu do Rio, como queria o Rabino que veio para levar o corpo e foi impedido e ameaçado?

Por que, na Declaração final, sua esposa não é mencionada, se havia um pacto de morte entre eles?

Qual exatamente o veneno ingerido?

São algumas das muitas perguntas levantadas por Silvio Saindemberg.

Revejamos a cena.

Os dois, ele e sua mulher, são encontrados mortos na cama. Nas fotos do crime, eles aparecem em posições diversas. Como confiar nelas e saber que não houve adulteração? Na época, nada foi feito como averiguação. O motivo alegado: não incomodar os mortos. Depois foi achada uma Declaração, pacotes de livros para entregar ao editor, cartas e testamento. Ficou o que provava ineludivelmente o suicídio.Mas e o que não foi achado e se perdeu? E o que não foi contado?

A suspeita de assassinato lança um ponto de interrogação complexo e procedente com a vida, a obra e a história social e política da época. A tese de assassinato está mais próxima da noção de "A História como poetisa",texto do próprio Zweig, e também da concepção de História que propõe Walter Benjamim (outro "suicidado") e que, em suas teses sobre o conceito de história, mostra a necessidade de uma interrupção no discurso histórico, que ele qualifica de "messiânica"e que tem como fonte a razão poética.

Como disse Jeanne Marie Gagnebin em seu importante estudo História e narração em Walter Benjamim ( Perspectiva, 1994), "a tarefa do historiador "materialista" é definida essencialmente, pela produção, (de) rupturas eficazes". "Longe de apresentar de inicio um outro sistema explicativo ou uma "contra-história"(...), a reflexão do historiador deve provocar um abalo, um choque que imobiliza o desenvolvimento falsamente natural da narrativa".O que Pinheiro Goldberg fez parece ser exatamente isto: não quis propor uma "contra-história", mas provocar no desenrolar de seu discurso um abalo capaz de trazer Stefan Zweig de volta. É um espécie de ressurreição pela escrita - ato profano que engendra o retorna à vida.

Trata-se de uma "hermenêutica da suspeita", capaz de interromper a história para marcar "o lugar de uma verdade não-dita", assim como a psicanálise traz à tona o recalcado. "O pensamento de Benjamin" - continua Gagnebin - "me parece se aproximar mais da tradição profética judaica, isto é, de uma palavra corrosiva e impetuosa que subverte o ordenamento tranqüilo do discurso estabelecido; subversão tanto mais violenta quanto ela é também o lembrar de uma promessa e de uma exigência de transformação radical".

Um dos modos de "fazer irromper do passado uma significação inédita" é perceber semelhanças entre episódios distantes no tempo. Goldberg fez isso ao aproximar o caso de Zweig ao de Wladimir Herzog, ao de Iara Iavelberg, cujo suicídio alegado não passava de uma grande farsa.



Mais do que falar em tese, trata-se de uma postura diante da vida, diante da arte, diante da memória humana, escrevendo a história da humanidade que vale a pena. Ver o seu tempo, mas também fora dele, enxergando-o com vistas à Eternidade.

Por tudo isso, prefiro um epílogo que termine dizendo: Salve Zweig! Eu te saúdo.

Artigo publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais - No.58 - Abril 2000.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Difamações e infâmias.

Dr. Jacob,

Li no blog a matéria de seu advogado sobre o tal jornalista Dines.
Nunca li qualquer coisa deste sr.
Em contrapartida, li sua POESIA, e para mim basta.
Sua arte fala por si.
Certa vez, ousei dizer a um magistrado, que a humanidade precisa mais dos poetas que dos juízes.
O dito serve para o caso: a humanidade não teria chegado até aqui sem poesia, pois certamente já teríamos nos trucidado; em compensação sobre os
jornalismo e "jornalistas", não se pode dizer o mesmo.

Um solidário abraço
maria rodrigues

terça-feira, 14 de julho de 2009

Estado de Minas

A poesia como fonte de vida.


Psicanalista e poeta, Jacob Pinheiro Goldberg é escritor lúcido, da família dos desgarrados.

A solidão e o estranhamento, tanto existencial quanto geográfico, permeiam a poética de Jacob Pinheiro Goldberg. Ora um choque cultural intenso, ora um ímpeto de comunicação e diálogo. “Espécie de errância interior, trajetória de vida contada e recontada em muitos poemas e textos, a poesia de Jacob Pinheiro Goldberg pode ser descrita como a de uma vida singular tornada estranhos poemas ou poemas-vida.” Assim, Marília Librandi Rocha abre alas para a compreensão de uma obra inquietante. E ao partir desta vertente, para organizar a antologia Poemas-Vida (Editora 7Letras), Marília Librandi Rocha articulou um livro que revela a força poética de um escritor desterritorializado.

Nascido em Juiz de Fora e radicado em São Paulo há mais de 50 anos, o poeta e psicanalista faz da escrita e da poesia a busca de uma expressão de vida. Em constante processo de criação, a fronteira é a pátria de Jacob Pinheiro Goldberg, a esquina, sua peregrinação. Admirador confesso da obra de outro poeta mineiro, Murilo Mendes (1901-1975), como um outsider, Goldberg tem instigado o debate de ideias, a reflexão e, com isso, provocado muita polêmica. O “psicólogo da poética”, nas palavras de Sandra Magalhães, investe na construção poética como um desafio de revirar o passado e apontar para o futuro.

Poemas-Vida deriva de um estudo realizado sobre a obra de Jacob Pinheiro Goldberg, defendido em 2003, como tese de doutorado de Marília Librandi Rocha na Universidade de São Paulo (USP). Marília Librandi partiu da leitura de cerca de 1,2 mil textos publicados nos livros de Goldberg (compreendendo por “textos” uma produção escrita que inclui desde poemas longos, crônicas, artigos, até escritos de uma só frase ou poemas de um só verso), chegando a uma seleção que, segundo seu ponto de vista como organizadora, corresponde a algumas das principais preocupações e tendências da escrita de Goldberg. Os textos foram reunidos em sete tópicos: “Parábola e ponto de fuga”, “O nem insólito”, “Sombra da sombra”, “A carne da memória”, “Bio(necro)grafia”, “Errância” e “Melitzá. Fragmentos poéticos”.

Desde então, Goldberg assumiu os próprios textos, antes guardados em gavetas ou publicados em pequenas edições de autor, e teve sua produção escrita reconhecida por um número significativo de leitores, entre os quais Henryk Siewierski, que traduziu 18 de seus poemas para o polonês. O poeta também publicou, em 2005, o livro Rua Halfeld, Ostroviec, no qual mergulha na esquina imaginária entre a rua mais importante de Juiz de Fora e a cidade natal de seus pais na Polônia.

Vento do mundo

Na opinião de João Adolfo Hansen, professor titular de literatura brasileira na USP, a matéria da poesia de Jacob Goldberg é essa desabitação, essa despossessão, esse estar não estando de quem medita as perdas levado pelo vento do mundo. “Na sombra, à esquerda da linguagem, Goldberg escreve poesia com o sangue da experiência do real. É poesia elegíaca e trágica, uma lamentação que contraefetua o acontecimento da dor, elaborando o sofrimento para resistir à destruição e à amargura do mal.”

Jacob sabe que nascer judeu ou palestino, índio ou espanhol é só acidente, pois o que realmente importa é o que fazemos com o que fizeram de nós, afirma Hansen. E explica: “Kafka, por exemplo, quis escrever como um vira-lata para apagar as marcas da lei gravadas na pele. Jacob é dessa família de desgarrados magníficos que dizem non serviam, ‘não servirei’. Inconformado com a vida, revoltado com a morte, escreve sua poesia na fronteira do Paraguai com a Finlândia, aquele não-lugar onde as etnias, as nacionalidades, as religiões, as classes e os sexos finalmente foram abolidos e só sobrou a liberdade da descrença radical dos valores herdados”.

A antologia Poemas-Vida é uma síntese da reflexão poética de Jacob Pinheiro Goldberg ao longo do tempo, em meio à perplexidade, ao desafio, ao caos e à superação. É um compromisso de vida e um compromisso com a escrita. Enfim, é uma outra forma de respirar.

Jorge Sanglard é jornalista e pesquisador.

POEMAS-VIDA
De Jacob Pinheiro Goldberg
Editora 7 Letras, 120 páginas, R$ 29

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Revista O.A.B.M.G

A crise do Direito no mundo em crise

Jacob Pinheiro Goldberg*

O “gangsterismo” no mercado de capitais colocou à tona a cronicidade de situação insustentável na “kulturkampf” (guerra cultural) criada pelos fenômenos contemporâneos da simultaneidade, instantaneidade e fugacidade. Realmente, a TV e a internet, instrumentos tecnológicos extraordinários, acabaram, paradoxal e contraditoriamente, expondo a hipocrisia das instancias do Poder, a nível nacional e internacional, que usa o Direito (uma ciência da opressão em suas variáveis as mais insidiosas) para impor uma Justiça, que é o instrumento da Força, com as máscaras e cartas marcadas – polícia, exército, religião, universidade –, enfim as instituições em nome do Sagrado contra o Profano. O Direito na Avenida Paulista não é o direito em Capão Redondo. “Folha de São Paulo”, 1/2/2009: “Ganho de banco brasileiro é 11 vezes maior que o de países ricos”. “Escrava sexual brasileira lidera preço no mercado italiano (5.000 euros).”
Na transição obrigatória do caos para a esperança da lucidez, a partilha do mando político pode representar um movimento libertário.
Estender a fórmula para o Judiciário adequaria o conceito do clássico “terceiro excluído” – a hipervigilância neuronial pode não ser constitucional, mas parte do mecanismo de defesa da culpa. A culpa pela violência, a maldade, a tortura, a exclusão.
Esta é uma tentativa de compreensão das relações entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, máxime das pressões e contrapressões que se estabelecem. Tomar-se-ão elementos fornecidos pela Psicologia Social. Como entender os jogos do Poder numa dimensão coletiva sem acudir aos ensinamentos da ciência do comportamento?
No Brasil, com interrupções históricas de menor significado, temos vivido sob um presidencialismo rígido, quando não sob o regime autocrático, nas palavras de Sampaio Dória: “O Chefe de Estado ou é rei hereditário e perpétuo, cuja vontade decreta e executa as leis ou é um caudilho que, usurpando ao povo a soberania, decreta como poder pessoal as leis que executa ou manda executar. Um e outro, onipotentes e irresponsáveis. Os governados estão paralisados e sem voz, sob o jugo da não-partilha do déspota, coroado ou sem coroa”. Esta é uma realidade profundamente entranhada no psiquismo do Poder em nosso país, e que mereceu uma dissecação, em profundidade, de Oliveira Viana em Instituições Políticas Brasileiras: “Nos engenhos e fazendas, só o senhor decidia, ordenava, mesmo em questões que só interessavam à população moradora e à sua vida econômica”.
O povo não tinha a quem recorrer contra a autoridade onipotente; desarmado, não dispunha de independência de ação e de pensamento, nem do conhecimento prático de qualquer instituição democrática. Carecia de consciência jurídica, decorrente dos costumes e tradições, para determinar o comportamento dos homens na vida pública.
Realmente, nosso domínio rural, como se organizou, não continha, nem em sua estrutura, nem em sua culturologia, nenhuma instituição que o adequasse, como no domínio rural europeu, a se constituir numa escola de preparação das nossas populações rurais para as práticas democráticas, para os hábitos eletivos, para a preparação objetiva do interesse público da comunidade. Das instituições democráticas, o que havia eram as idéias gerais hauridas nas universidades e no direito público dos povos mais avançados nessa questão. A ausência de uma força própria nascida do contexto vivencial da comunidade, de um coeficiente emocional, só possível nos complexos culturais que em suas próprias especificidades a si mesmos se criaram, a ausência em suma de um direito público costumeiro do povo ou consciência jurídica pública, conforme a expressão de Bielsa, é o que teria gerado “o artificialismo de nossas instituições e de nossa formação cultural”.
Quais as implicações reais deste quadro de fundo?
A fundação do governo do pai sobre os filhos. Um Poder que tenta agilizar-se, estender sua influência, fazer-se presente. O Legislativo e o Judiciário diante de um Poder onipotente (com todos os vícios que a exacerbação patológica possa significar), o Executivo.
Essa disputa, o conflito que se trava, encontra sua arquitetura de entendimento na concepção de Freud – a revolta dos irmãos contra a tirania paterna, que, segundo Marcuse, marca o início da civilização.
Por suas características e tipicidades – um contexto que admite ideologias diversas, representadas pelos partidos políticos, discordâncias, propostas diferenciadas de encaminhamento dos conflitos sociais e dos choques de interesses –, o Legislativo assume a condição natural de “representante do povo” e, em decorrência, uma identificação maior com a realidade social na sua globalidade e com a vida psíquica individual. A dinâmica daí originária, não obstante, pode levar, às vezes, os congressistas a rupturas comportamentais infantis carregadas de tônus passional. Esta tendência a partilhar, pelo jogo das compensações, permite certo equilíbrio, evita o pior, mesmo admitindo que o poder único supremo possa dar excelentes resultados, porém, mais frequentemente leva a catástrofes, no entendimento de Alfred Sauvy. O que redunda numa permeabilidade maior com o quarto Poder e a informação de massa, que tende à valorização do debate, auscultando a opinião pública. O Judiciário é como a figuração materna, quase contemplativa.
Não é de estranhar, por isso, que hoje grande parte dos conflitos ente Legislativo e Executivo se estabeleçam sobre a área comum das relações com a imprensa, que deve ter, além dos seus tradicionais papéis de informar e ensinar, o de testemunhar, como catarse da sanidade psicológica do cidadão, desamparado diante do Estado Leviatã. Mesmo porque urge assinalar a tautologia de que não pode existir democracia sem informação, que, por sua vez, depende da postura observadora do Legislativo e do Judiciário na instância política do Estado e da imprensa, na rua. Essa ausência acarretaria a síndrome do abandono para o indivíduo que, frustrado e receoso, acaba por desenvolver sua agressividade e violência.
Por outro lado, o Executivo se considera, o mais das vezes, mesmo quando oriundo do voto popular, o “agente” de uma “vontade nacional” abstrata que ele pretende encarnar. Poder que tende ao exercício individual, numa sistemática de centração autorreferenciada, dificultando a harmonia de inter-relacionamento, pesando-lhe o respeito à imunidade do mandato parlamentar, por exemplo.
Infelizmente, a sociedade hoje vivencia seduções de processos psicológicos regressivos – a minimização das faculdades de comunicação levando a um estado mórbido e ao não-diálogo, a incapacidade para reagir e cumprir a cidadania plena, a facilidade de apelo a elementos de necrofilia –, na concepção de Felipe Ramirez: “O parlamentarismo é cortesia cívica, tolerância, discussão pública, tradição; é, pois sistema exótico em regimes de caudilhagem”. O Judiciário, acaba sendo cartorial.
A autoridade que, por efeito da própria rebelião edipiana mal elaborada, não consegue a reintrojeção de um superego construtivo, tende a medidas coercitivas, promovendo a hostilidade e a arbitrariedade.
É fundamental uma tentativa de reflexão sobre estes processos. Pela demonstração da existência do inconsciente, Freud estabeleceu o princípio do determinismo psíquico, evidenciando que a razão não é a única condutora de nossos comportamentos. O exercício e a divisão do poder precisam ser estudados também sob este enfoque, juntamente com o econômico e o social. Ou então, ficaremos sob o Sísifo, “cego que deseja ver e que sabe que a noite não tem fim”. Finalmente, esta introspecção pode permitir a limitação do Executivo, produzindo um efeito moderador e o delineamento da atuação do Legislativo e do Judiciário com bases operacionais vinculadas ao interesse social.
Um ajuste harmônico, fundado num comportamento maduro entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário fica na dependência básica da compreensão dos mecanismos internos e externos de tensões e contratensões. Ou, em detrimento da sociedade, ficam as relações entre os três poderes condicionadas por impulsos de mútua agressividade, sem corresponder às expectativas psicológicas da comunidade, necessitada de modelos de equilíbrio na condução dos negócios públicos como parâmetros de sanidade. Cabe uma citação de Bernard Chantebout: “C’est en effet l’honneur de nos sociétés que d’avoir tenté d’enfermer la conquête et l’exercice du pouvoir dans des règles de Droit” (É com efeito uma honra para nossas sociedades terem se esforçado para consolidar a conquista e o exercício do poder segundo as regras do Direito).
Desmistificando, em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Humpty Dumpty diz: “Quando uso uma palavra, ela quer dizer aquilo que eu escolhi que deve significar”. A psicologia da força tenta dar esta conotação para a linguagem política e legal em toda parte, em toda época.
As sociedades têm seus códigos em que definem algumas ações como criminosas e outras como aprovadas. Para as primeiras, reservam punições, classificadas como sanções e com o apoio da política organizada.
Em Minas Gerais 70% da população carcerária aguardam julgamento em prisão preventiva.

*Jacob Pinheiro Goldberg nasceu em Juiz de Fora e reside em São Paulo. É psicanalista, doutor em psicologia, advogado e escritor. Entre outros livros, publicados no Brasil e no exterior, se destacam “Psicologia em Curta-metragem”, “Psicologia da Agressividade” e “Magia Wignania”.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Entrevista Universidade Stanford (E.U.A)

Entrevista da Profª Marília Librandi Rocha, da Universidade Stanford (E.U.A), autora da antologia “Poemas Vida” de Jacob Pinheiro Goldberg, com apresentação do profº João Adolfo Hansen (U.S.P).
Marília Librandi Rocha, apresentou a tese de doutoramento... “Parábola e Ponto de Fuga: a poesia de Jacob Pinheiro Goldberg”, na U.S.P, obtendo nota 10 com distinção e louvor.

ACESSE O LINK:

http://www.stanford.edu/dept/fren-ital/opinions/

Psicologia em Curta Metragem.